• Maitê Vallejos

A medida entre pegar leve e se comprometer

Hoje faz exatamente um ano que comecei a fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Nesse mesmo horário, às 8:52, quando começo a escrever esse texto, estava subindo os Pirineus (montanha que divide a França da Espanha) e provavelmente já me perguntava que ideia era aquela que tinha inventado.


Quase todos os dias devo ter pensado em desistir. Não digo desistir do caminho inteiro, mas desistir de completar X Km em determinado dia e adiar para o outro. Ao longo daquele mês, lembro de mudar os planos apenas duas vezes e me cobrar muito por isso.


Corta para 365 dias depois e aqui estou me cobrando de novo, mas por outra razão. Há 8 semanas me propus a fazer uma espécie de curadoria de conteúdos que considero relevante no Instagram durante a semana - o projeto particular Ok. Isso é tudo. Acontece que na última semana acabei não fazendo no domingo e postei atrasado na segunda-feira (primeiro sinal de alerta da procrastinação e da preguiça). Aí ontem, de novo. Acabei deixando e não fiz.


Hoje já estava abrindo o computador pra selecionar os posts, vi a data no calendário, me transportei para aquele desafio que vivi e pensei sobre como é fácil cair nessa armadilha de justificar a falta de comprometimento com um "tudo bem, vou relaxar e me permitir não fazer". É muito tênue a linha entre pegar leve consigo mesmo e não se responsabilizar por alguma tarefa ou hábito ao qual se comprometeu.


É bem verdade que, ao contrário do Caminho de Santiago, não tenho uma meta tão clara a cumprir com esse pequeno projeto, mas isso não significa que não deva aprender sobre persistência com esse exemplo.


Seja a jornada curta ou longa, sob qualquer aspecto da vida, é preciso determinar objetivos e equilibrar as questões de auto cobrança excessiva com a auto responsabilidade sobre o que se quer fazer. Por experiência própria, sei que não é simples, mas a recompensa sempre chega de algum jeito.


Não vou postar atrasada hoje. Não foi isso que acordei comigo mesma. Também não vou desistir ou me cobrar demais como costumo fazer, mas vou deixar esse texto como resultado de mais um processo de aprendizagem em busca de consistência na escrita.


Entre tantas coisas, o Caminho de Santiago me ensinou que não é a montanha que se atravessa, mas como se atravessa, independente do tamanho.



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